BAD HIRE - O inimigo silencioso dos resultados
Você já ouviu falar neste termo?
Bad Hire (ou “má contratação”) é como é chamada no meio internacional de gestão de pessoas para descrever um colaborador que, após ser admitido, não entrega o desempenho esperado, não se adapta à cultura da empresa ou gera impacto negativo no ambiente e nos resultados.
“Uma “Bad Hire” ou má contratação pode custar mais de 200% do salário anual médio do colaborador, segundo a SHRM.”
Quando uma empresa contrata uma pessoa e investe no pagamento de seu salário, ela espera obter um retorno sobre este investimento, ou seja, um ROI, portanto quando calculamos os custos envolvido com um má contratação é preciso considerar o valor do salário investido no período que esta pessoa trabalhou na empresa e todos os outros custos envolvidos, com recrutamento, seleção, treinamento, benefícios, despesas, certificações etc.
Agora, quando analisamos profundamente os custos envolvidos em uma má contratação, nos surpreendemos que os valores financeiros, por maiores que sejam (podem chegar de 0,5 a 4x o salário anual), são apenas a ponta do iceberg, pois o maior impacto vai muito além disso:
- Corrosão da moral e coesão das equipes
- Contaminação da satisfação e fidelidade a empresa
- Sobrecarga geral, nos pares e gestores
- Aumento do turnover, principalmente a saída silenciosa de bons profissionais
- Prejuízo da imagem da empresa com os clientes e mercado
O mais curioso é que 95% das empresas admitem cometer erros de contração todos os anos, não por falta de esforços, mas por consequências de processos de recrutamento e seleção ainda baseados em intuição, pressa e sobrecarga de trabalho.
Cabe salientar que profissionais experientes podem com certeza fazer bons processos de seleção baseados em sua intuição, contudo isso leva mais tempo, além de ser um processo mais caro e não escalável.
“Good Hire” o outro lado da moeda
Em uma perspectiva oposta, temos a “Good Hire” ou boa contratação.
Não se trata apenas de selecionar alguém que entrega resultados, mas que também se integra, engaja e eleva o nível da equipe.
Cada “Good Hire” gera um efeito composto de grande valor, pois seus comportamentos e atitudes não só auxiliam a gerar resultados, mas também a melhorar o clima, acelerar a produtividade e aumentar a retenção de talentos na empresa, ou seja, gera um círculo virtuoso.
Já uma “Bad Hire” tem o efeito inverso: desmotiva, gera insegurança e multiplica custos invisíveis, além dos prejuízos financeiros. Em poucas semanas, o que podia parecer uma solução para muitos problemas, rápida e eficiente, se torna um passivo estratégico.
Por que ainda contratamos mal?
Dentro de nossa experiência podemos destacar quatro causas que aparecem com frequência:
- Deficiência na definição do perfil da vaga, pois muitas vezes existe uma grande dificuldade em estabelecer competências técnicas e pessoais necessárias ao sucesso do profissional na posição.
- Falta de padrões de entrevista, pois processos subjetivos aumentam 5x a chance de erro.
- Ausência de avaliações efetivas em um espectro abrangente, a escolha é pelo currículo e informações de entrevista, não pelo potencial de aderência e engajamento, em um mundo no qual mais de 75% dos candidatos mentem, isso é muito arriscado.
- Desalinhamento cultural e de valores, o candidato é bom, mas “não combina” com o jeito da empresa ou pior, contamina a cultura atual.
Como mitigar o impacto das “Bad Hires”
As organizações mais bem-sucedidas estão mudando a lógica de contratação, ao invés de simplesmente procurar preencher uma vaga, focam em gerar valor.
Mas como elas estão fazendo isso?
Focando em três pilares muito importantes:
- Incorporar um mapeamento comportamental de espectro abrangente, usar uma combinação de avaliações avançadas nos processos (Ex.: Comportamentos, Motivadores, Axiologia e Inteligência Emocional Social) para entender o como, o porquê e o que move cada pessoa.
- Integrar tecnologia ao processo, para reduzir custos e aumentar a eficiência, com o uso de sistemas de gestão e IA, tais como: ATS (Applicant Tracking System), HCM e People Analytics, que possibilitam a criação de processos preditivos, escaláveis e baseados em dados.
- Medir constantemente a Qualidade das Contratações, com um processo robusto de Onboarding, associado a acompanhamento do desempenho, engajamento e atitude nos primeiros meses.
“Informação, Tecnologia e Gestão criam um ecossistema inteligente de recrutamento e seleção, com menos intuição e mais precisão.”
O que muda na prática
- Menos rotatividade e recontratações caras.
- Equipes mais coesas, produtivas e alinhadas.
- Líderes com mais tempo livre para desenvolver pessoas, não apagar incêndios.
- E uma cultura de alta performance que se sustenta.
Reflexão final
Toda contratação é um investimento e deve apresentar um ROI!
O desafio é simples (mas poderoso): você está comprando um ativo ou um passivo?
Transformar o recrutamento e seleção em um processo estratégico é o primeiro passo para maximizar o ROI humano da sua empresa.
Construir uma cultura na qual seja possível compartilhar propósito, valores e visão de futuro, para em um ambiente seguro e propício, atingir maiores resultados e mais duradouros, é o segundo passo.
Autores
- Carlos Andrade (Conselheiro, mentor e consultor empresarial)
- Roberta Araujo (Psicóloga, mentora e consultora de desenvolvimento humano)
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Gestor Empresarial - Master Coach Senior
EXPERIÊNCIA
Mais de 30 anos de experiência em empresas multinacionais de pequeno, médio e grande porte, nos segmentos autopeças, bens de capital, automação industrial, eletrodomésticos, entre outras.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
Atuando nas áreas de coaching, gestão empresarial, gestão de pessoas, direção de projetos, direção comercial e de engenharia. Professor formado no SENAI e consultor internacional.
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